segunda-feira, janeiro 29, 2007

Das escolhas e das Perdas


Escolher uma coisa e não escolher outra. Quantas vezes eu ouvi isto e quantas vezes eu repeti como um mantra, na busca da certeza de que eu estava fazendo a melhor escolha. Sofria com o medo antecipado de que podia me arrepender, de que o outro caminho podia ser melhor, de que o cosmos se encarregaria de resolver sozinho e pedia mais tempo: uma semana a mais eu decido, daqui a dois dias eu digo, amanhã sem falta, agora eu estou sem tempo de pensar, daqui a pouco. E ficava me corroendo e empurrando.

Com a maturidade vieram chegando as decisões como uma necessidade batendo na minha porta. A escolha do curso superior, a decisão de morar num centro maior, a prioridade ao tempo, a agenda, aos compromissos.

Comprar um carro ou viajar para o exterior?

Estudar francês ou fazer especialização?

Pedir demissão e tentar numa outra cidade ou ficar aqui na estabilidade monótona?

Mandar tudo longe ou exercitar a paciência?

Meu lado geminiano e minha formação cristã em permanente confronto.

Mas o pior enfrentamento das decisões e das perdas estava pra vir: quando chega a hora de enfrentar os sentimentos. De se admitir apaixonado, de chorar a frustração, de lamentar a palavra dita na hora errada ou o impulso não contido, de encarar um final.

O amadurecimento do ser humano está ligado a sua capacidade de administrar as escolhas e as perdas na área dos sentimentos. É fácil decidir trocar de emprego, de carro ou de cidade. Mas trocar, desistir, encerrar, mudar um amor é uma tarefa que exige muito e que independe do nosso lado racional. A gama de sentimento que uma companhia produz pode variar da dependência emocional ao companheirismo adulto, mas um rompimento em qualquer um destes graus produz reações diversas que nos testa e nos exige.

Invejo os que têm a capacidade de elaborar rapidamente uma perda sentimental, que em duas semanas já estão em outra não deixando nenhum vestígio da experiência passada. Tenho inveja dos que têm certezas, do que não duvidam, não refletem, não erram. Eu penso demais, pondero demais, acredito que pode mudar, que em seguida engrena. E acabo sempre tendo esperança e me prendendo.

Perdas são difíceis. Perdas sentimentais muito mais. Mas com certeza a maturidade possibilita visões diferenciadas, que tornam seu peso – se não mais leve - pelo menos mais cômodo de carregar. Afinal o que é a vida do que uma sucessão de felicidades e perdas, vivências e lembranças, tentativas e frustrações. Assim é viver: escolher mesmo arriscando e perder, mas sempre somando....

4 comentários:

Robson disse...

Caraca Lee, isso q vc escreveu agora (Das escolhas e das Perdas) tem tudo a ver comigo...adorei...rsrsrs Ficou otimo.

Apenas eu... Eis o melhor e o pior de mim! disse...

Querido... você é um presente do Pai Véio lá de cima que cruzou a minha vida e cada vez que me delicio com o teu olhar sobre as coisas, meu sentimento de admiração pelo maravilhoso ser humano que és aumenta e sou feliz por contar com você e por estar na minha vida e fazer parte dela.
Por isso, fico aqui... te adorando e te respeitando!
Beijo

MaxReinert disse...

... o bom de encontrar certos blogs é que a gente percebe que não está sozinho no mundo.... existem pessoas pensando coisas que vc tb está, mesmo que seja do outro lado do país!!!!

Obrigado!!!

Helô disse...

Quer dizer que o Senhor não gostou do meu pedido de casamento, Nem publicou o meu comentário. Desta vez vai a solicitação para ser adotado.
De suas noticias.
Bjs
Yo