terça-feira, março 13, 2007

Vencer perdendo ou como ganhar o Oscar




Muito tem se discutido ultimamente sobre o verdadeiro significado da vitória. Diversas situações tem colocado pessoas que perderam, ou ficaram em segundo lugar, em condições muito favoráveis, as vezes até mais positivas, do que aquele que foi o vencedor. Exemplos assim não faltam: Gisele Bündchen que ficou em segundo lugar no Elite Model Look de 1994 e hoje é a modelo mais famosa do mundo e Al Gore que perdeu a eleição americana para George Bush em 2000 e hoje é figura internacional contra o aquecimento global, podendo concorrer inclusive ao Nobel da Paz. E a mais nova figura neste time é a atriz e cantora Jennifes Hudson que perdeu o American Idol, em 2004, e recentemente ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por sua atuação em Dreamgirls.

Se olharmos ao nosso redor vamos encontrar outros exemplos igualmente valiosos, entre pessoas simples que nascem tendo tudo para dar errado, mas se superam e vencem. São heróis anônimos que lotam ônibus dos subúrbios com destino ao centro das grandes cidades para uma jornada de trabalho. Enchem salas de aula noturnas e tentam entre bocejos aprender e adquirir um grau. Enfrentam noites insones ao lado de um berço onde o choro é a companhia. São heróis todos estes e estas, vítimas da cruel distribuição de renda deste país, alvos de balas perdidas, de assaltos, de violências em casa e fora dela, que vencem a dor e o pânico e se tornam gigantes para a vida e se fazem felizes.

Quantas vezes nós mesmos anônimos. que não somos vistos recebendo medalhas e honrarias. quando enfrentamos uma dificuldade imensa como a perda de alguém querido, uma demissão, calúnias, decepções, covardias, injustiças e teríamos motivos de sobra para desistir, estacionar ou enlouquecer. Mas foi aí na raiz da própria dificuldade que encontramos um pouco de força para nos erguemos e virar o jogo. As vezes é mais cômodo a posição de vítima recebendo adulamentos e chamando a atenção, mas esta situação somente deixa mais inferior quem sofre. Somente quando se encara o sofrimento e se busca um pedaço de luz para dar a volta por cima que a vitória chega.

Em diversas situações passamos por isto. Choramos e sofremos tendo que enfrentar mudanças, deixar a casa dos país, deixar a cidade que amamos, deixar a pessoa que queremos, optar, decidir, escolher. Muitas vezes sentimos a dor da injustiça, da decepção, do preconceito. Tentamos ai ser mais forte do que nós mesmo pensávamos pára provar que somos capazes, que podemos, que temos condições. Penso na minha avó, viúva com 10 filhos, morando na zona rural do Rio Grande do Sul, que foi forte o suficiente para encaminhar todos, mesmo não sabendo ler, e vivia feliz com a vida, usado roupas simples de cores discretas, sempre com um coque no alto da cabeça e partiu com a sensação de satisfação, de felicidade, de vitória.

No entanto, minha pouca paciência fica menor ainda ao ver quem tem condições favoráveis desanimar tão cedo e tão jovem, diante de obstáculos que as vezes nem são tão reais, ou que nem valem o esforço da depressão. O mundo é cheio de obstáculos, é injusto e as chances de tudo dar errado não são pequenas. Se ainda vamos ajudar nos entregando ao sofrimento, a dor, a decepção, a autopunição e a culpa, com certeza a chance de vitória será pequena.Caso contrário temos grande chance de ganharmos o Oscar um dia.

10 comentários:

Alex - Poa disse...

Muito show!
Adorei!
E como não poderia gostar!
Te adoro!

Ana Gotz disse...

Cara, eu acho que o sentimento/sensação de fraqueza diante uma situação depende muito do estado de espírito da pessoa. As vezes, faltam forças, coragem, garra.

O bom mesmo seria se ninguem tivesse problemas... mas na prática não é bem assim...

:o)

Henrique Fogli disse...

Nem sempre uma medalha de ouro vale mais que 10 de prata...
Ótimo texto! Parabéns!

Cícero Matos disse...

Liandro rapaz, gaúcho e residente dessa cidade linda e arquitetônica que es Brasília. Geminiano como eu e Jornalista, profissão que eu tentei, mas acabei abandonando no 3º semestre, ams não estou falando de mim e nem de vc e sim desse texto.Que texto é esse brother???Não poderia ter sido publicado em momento melhor, infelizmente, pois os acontecimentos devem de no mínimo dado uma tremenda inspiração. Ligo a Tv e so desgraças. Pessoas simples que viram estrelas , não no glamour, como se é estampado todos os anos em canais que transmitem o OSCAr e sim na dura realidade brasileira, onde pessoas idôneas e trabalhadoras são todos dias masacrados e nem sabem o porque, vide casos da estudante Priscila Aprigio, que aparentemente ficou paralitica devido a uma bala perdida e o terrível acontecimento com o garotinho que foi arrstado 7 km pelas ruas do Rio, que mundo é esse??

Parabens pelo texto.

Abraço!

Gabriel disse...

Olá

Seu texto é, de certa forma, otimista, como você. Mas tenho certeza que, se vc foi capaz de ser paciente com os adolescentes do texto do blog do Max, vc tb seria com quem sofre, por exemplo, com a depressão. Não se trata de se vitimizar e nem de chamar a atenção. Para quem sofre com ela, é uma luta constante (e te afirmo, desagradável). Ultrapassa a beleza da melancolia para chegar a um estágio clínico.

Saudade de nossos diálogos sempre enriquecedores. (nosso blog lá tá devagar... mas às vezes até tem coisa nova hehe)

Abração.

MaxReinert disse...

Olá querido... saudades dos papos... estou sem internet em minha nova casa... somente a partir de segunda-feira...

sobre o texto: ...hummmmm... difícil saber, sem particularizar quais os limites da vitimização ou da glamourização do perdedor... hoje em dia (parece) que somente quem tem uma história triste por trás tem o direito a ser feliz e um vencedor... acho que é válido ter que lutar contra tudo e todos para poder se realizar, mas não gostaria que essa fosse a regra, prefiro que , cada vez mais, se torne uma excessão.

Helton disse...

Gostei, Liandro! Se cada um de nós parasse pra pensar um pouco como poderiamos nos melhorar, e assim melhorar com nosso país, com certeza nossa realidade seria outra e não teríamos tantos deprimidos como hoje em dia.

Anônimo disse...

Ótimo texto meu caro.

Concordo em tudo que colocou...

Abçs, Onipresente

Guiga disse...

Oi

Teu texto tá fora de sério!
Mais uma vez venho parabenizá-lo por tão linda forma de enxergar a vitória!
De certo que somos obrigados a passar por dificuldades, a vida sem elas não teria o menor sentido...tua visão é verdadeira e incentivadora, faz enxergarmos o que na verdade não pode se deixar de ver, mas de uma forma muito encorajadora e bonita!
Vencer é muito bom, mas saber tornar a perda um caminho para a vitória é muito difícil, temos que aprender, e muito!
Beijo
Guilherme

Cícero Matos disse...

Vamos atualizar n+e rapaz

Abraço!