segunda-feira, fevereiro 07, 2011

James Dean: 80 Anos












Se fosse vivo hoje, oito de fevereiro, James Dean completaria 80 anos. Sua morte repentina aos 24 interrompeu uma carreira meteórica consagrada nos três filmes que protagonizou e uma vida cheia de mitos e fofocas, principalmente os que circundavam sua capacidade artística e sua personalidade complexa. A rebeldia, o gosto pelos riscos, em busca da intensidade da vida, a quebra do padrão do bom mocismo americano são algumas das questões que influenciaram a criação de um jeito de ser muito próprio que juntava intensidade com a capacidade.

James Dean foi a personificação maior da idéia de que entre uma vida intensa e uma longeva, se prefere a primeira opção. Ao lado do esforço para ser livre, corria uma busca intensa, tentando preencher o espaço vazio deixado com a morte de sua mãe, aos nove anos e o afastamento do pai. Sua paixão pela velocidade era, talvez, uma forma de querer cruzar as barreiras que o separavam destas perdas, tentando – no vencer destes desafios- buscar o reconhecimento não correspondido e o afeto cortado. E assim foi com as sucessivas motos que chegou a colecionar, com os carros “envenenados” até adquirir o famoso Porsche 550 Spyder prata, que foi pintado com o número 130 no capô, e com o qual morreu em 30/09/55 na estrada de Salinas, no estado americano da Califórnia.

Sua capacidade de sedução mobilizou homens e mulheres ao seu redor, e ele soube usar bem este talento criando um universo de admiradores, não apenas entre os que corriam ao cinema para vê-lo na telona, mas também entre atores e diretores. Os mais clássicos foram a paixão que nutriu por Ursula Andrews, a quem convidou para a viagem no Porsche no dia de sua morte, a tentativa frustrada de relacionamento com Pier Angeli, impedida pela mãe de namorar o galã, e a verdadeira adoração despertada em Salvadore Mineo – seu parceiro em “Juventude Transviada”. Após a morte de Dean, Mineo se envolveu com inúmeros garotos de programa, todos loiros e com o mesmo tipo físico do colega falecido e acabou sendo morto por um deles, esfaqueado em frente ao prédio onde morava. A mistura de sedução, rebeldia e angústia foram canalizadas para a atuação no cinema e para a necessidade gigante de intensidade nos dias de James Dean. Uma dos exemplos mais curiosos disto foi o apelido de “cinzeiro humano” que lhe deram os freqüentadores de um bar em Hollywood, pelo costume do ator de oferecer o corpo para apagarem os cigarros.

Fica difícil, com todo este histórico, imaginar James Dean hoje com 80 anos, envelhecido e enrugado (certamente tossindo em função do contínuo vicio do cigarro e do gosto pelas bebidas e vida noturna), fazendo pose de senhor sério e conservador. Os pilares de seu comportamento se baseavam nos valores de contestação da juventude em várias épocas, o que através dos tempos mudou muito pouco. Sempre os jovens querem a liberdade de dizer o que pensam, a inconseqüência de quebrar os tabus, sem ter o que colocar no lugar, o questionamento do estabelecido ou o uso do deboche como forma de refletir sobre o cristalizado. Enquanto boa parte destes contestadores vai, com o tempo, se transformar em acomodados pelas circunstâncias da idade adulta, da necessidade de estabilidade ou em nome dos compromissos, outros permanecem para sempre no imaginário das gerações como símbolos desta rebeldia. O morrer cedo talvez seja mais um elemento que contribua para a criação destes mitos, deixando pára sempre na memória e nas telas uma imagem que a ferrugem do tempo não consome: eternamente jovens, eternamente lindos, eternamente livres. No fundo um ideal inatingível para a grande maioria, que vê neste culto uma alternativa idealizada as suas limitações.


8 comentários:

Deison disse...

Gostei da finalização, com a ideia de "alternativa idealizada", pois de fato tendemos a admirar pessoas, e em muitas casos legitimando uma pseudoimagem vendida pelos meios de comunicação... podendo até chegar a esquecer que estes são ou eram tão de carne e osso como os demais mortais...
muito bom o texto Liandro.
Abraço

Diego disse...

Grande homenagem ao nosso eterno ídolo!

Justine du Sade disse...

Belíssimo texto. Dean é ícone eterno, inimaginável como um senhor de oitenta anos.

Paolo disse...

perfeita crítica sobre esse mito!

Bruno disse...

Belo texto!

Thayane Ribeiro disse...

Sou uma grande fã de James Dean,ele é com toda a certeza meu maior ídolo.Já vi todos os seus filmes,li sua biografia,e só tenho apenas 17 anos.Ele me inspira tanto que já escrevi sonetos e poemas para ele,que estão no meu blog.É impressionante o quanto ele influencia todas as novas gerações mesmo com quase 56 anos depois de sua morte.Como ele dizia,"A única grandeza para o homem é a imortalidade".Ele sim foi grande,ótima homenagem a essa lenda.Beijos,Thayane.

Cabeça disse...

Eu sou parecido com ele
tem gente que diz que eu sou a reencarnação dele quem quiser pode olhar meu orkut
http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?gwt=1&uid=16193455563590280699&aid=1&pid=8

ESTRELAS NA POESIA disse...

Exxcelente texto, com excelente reflexão sobre um dos mais precoces e belos atores de Holywwod - James Dean - Eterno ìdolo...Concordo com vc que a morte precoce ajudou a criar e manter o mito...e com ceteza ele preferiu assim...Viver intensamente do que viver e morrer lentamente e ficar esquecido pelos fãs.
Parabéns pelo belo texto. Informativo e reflexivo.
Abraços
Vera Helena